O PT parece ter aderido a aritmética perversa: menos educação, mais votos.

  Aritmética perversa


O PT abandonou as referências filosóficas que o constituíram como um partido capaz de realizar grandes transformações. Na oposição, exerceu um papel admirável nos parlamentos e na arregimentação das forças políticas progressistas. Contudo, ao conquistar o poder, abrolhou a ruptura entre o partido e os trabalhadores. Hoje não passa de uma matula de caciques que ainda conta com a fidelidade comprada de alguns sindicatos e outros coletivos cooptados. Sua prioridade política é a manutenção no poder. Soberbos, os dirigentes petistas se dedicam em garantir alianças oportunistas com a mesma corja contra a qual ergueram suas bandeiras há bem pouco tempo.

 O socialismo marxista (contaminado pelo centralismo democrático) aos poucos foi se convertendo num utilitarismo vulgar, com um cálculo político desastrado. As políticas sociais assistencialistas dos petistas não priorizaram a cultura e a educação. Alimentar o povo e dar-lhe a sensação de que são, enfim, consumidores que estão incluídos neste Brasil de tantos nós. Calculam: “para quem nunca teve nada, isso deve bastar”. Sem acesso à cultura e a educação de qualidade não há como se reivindicar acesso à cultura e a educação de qualidade. Os governos petistas não romperam este ciclo vicioso que as elites forjaram para conter os pobres deste País, quiçá aprofundaram. Qualquer cidadão minimamente ilustrado constata que, não obstante os prodigiosos números apresentados pelo Estado, a qualidade da educação pública piorou drasticamente. As novas gerações recebem uma formação intelectual indigna do exercício da cidadania.

A única revolução possível de se fazer neste País é a do acesso à educação pública de qualidade.  Esta transformação radical os governos petistas já provaram que não farão, por inépcia, covardia e conveniência. O desprezo de Dilma e Wagner pela greve dos professores federais e estaduais prova que, altaneiros, não apostam que esses movimentos produzam qualquer efeito nas eleições municipais. O PT parece ter aderido a aritmética perversa: menos educação, mais votos.
                                                                                                                                                 
Ricardo Henrique Andrade                                                                                                                            Professor de filosofia da UFR
Email: reseandrade@gmail.com
Jornal A Tarde - 29/06/2012


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